STF determina nova prisão preventiva de “Careca do INSS” após avanço da Operação Sem Desconto
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou, nesta sexta-feira (14), uma nova ordem de prisão preventiva contra o empresário Antônio Carlos Antunes Camilo, conhecido nacionalmente como “Careca do INSS”, após a Polícia Federal avançar nas investigações da Operação Sem Desconto. O magistrado considerou que surgiram novos elementos que reforçam o risco à ordem pública e ao andamento da apuração, justificando a medida mais severa.
A decisão ocorre no mesmo dia em que a PF prendeu o ex-procurador do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e sua esposa, Thaísa Hoffmann Jonasson, ambos apontados como figuras-chave em um esquema de fraudes envolvendo benefícios previdenciários, concessões irregulares e intermediação ilícita de processos administrativos.
Vínculos societários e suspeitas de atuação conjunta
De acordo com o despacho de Mendonça, Antônio Carlos Antunes Camilo mantinha vínculos societários e contratuais com empresas associadas ao ex-procurador Virgílio e à esposa dele. Esse relacionamento empresarial, segundo o ministro, é um dos pontos centrais que motivaram a reavaliação do caso.
O “Careca do INSS” operava por meio das empresas Prospect Consultoria Empresarial Ltda. e Plural Intermediações de Negócios S.A., nas quais exercia papel de dirigente ou representante de fato. A suspeita da PF é que tais empresas funcionavam como plataformas para viabilizar parte do esquema investigado — supostamente oferecendo facilidades, intermediações e vantagens indevidas relacionadas a benefícios do INSS.
A CNN revelou que, para a Polícia Federal, o empresário fazia parte de uma rede articulada composta por servidores públicos, advogados e intermediadores, dedicada a manipular processos previdenciários. Esses vínculos reforçaram, na visão do ministro, a necessidade de impedir que o investigado continuasse influenciando testemunhas ou coordenando ações com outros alvos do inquérito.
Proximidade com investigados motivou decisão
Outro ponto determinante para a nova ordem de prisão foi a proximidade e a interlocução contínua de Antônio com Thaísa Hoffmann Jonasson, mesmo após a deflagração da Operação Sem Desconto. Para Mendonça, esse comportamento indica potencial tentativa de coordenação ou obstrução das investigações.
O ministro destacou que a comunicação constante entre investigados, especialmente após mandados de busca e prisão terem sido cumpridos, representa risco concreto de combinação de versões, destruição de provas ou reorganização das atividades ilícitas.
“A manutenção de diálogo com investigados recém-alcançados pela operação demonstra desprezo pelas medidas judiciais já adotadas e potencial capacidade de influenciar os rumos do inquérito”, escreveu Mendonça.
A Operação Sem Desconto
Deflagrada pela Polícia Federal como parte de um esforço contínuo para combater fraudes previdenciárias, a Operação Sem Desconto mira um suposto esquema que teria causado prejuízos milionários aos cofres públicos. As irregularidades envolvem:
- concessão indevida de benefícios;
- adulteração de documentos;
- intermediação fraudulenta de processos administrativos;
- participação de servidores e ex-servidores públicos;
- possível lavagem de dinheiro por meio de consultorias e empresas de fachada.
As investigações identificaram uma sofisticada rede com ramificações em diferentes estados e agentes com influência técnica no INSS, o que aumentou o alcance e a gravidade das atividades ilícitas.
A prisão do ex-procurador Virgílio e de sua esposa marcou um dos avanços mais significativos da operação, levando o STF a reavaliar a situação de investigados que já eram monitorados, como é o caso do “Careca do INSS”.
Histórico do “Careca do INSS”
Antônio Carlos Antunes Camilo ganhou notoriedade em investigações anteriores sobre irregularidades previdenciárias, e seu nome já aparecia em denúncias relacionadas à facilitação ilegal de aposentadorias, laudos e benefícios. Seu apelido, que se popularizou nas redes sociais e em reportagens, tornou-se sinônimo de esquemas paralelos envolvendo o INSS.
Apesar disso, sua atuação empresarial através de consultorias vinha sendo mantida em paralelo às investigações, e a PF acredita que, mesmo sob alerta, o empresário continuou funcionando como elo entre operadores internos e externos do esquema.
Risco à investigação pesou na decisão
Na decisão encaminhada à Polícia Federal, Mendonça enfatizou que a prisão preventiva não é pena antecipada, mas medida necessária para garantir a integridade das investigações. O ministro também considerou que o comportamento recente do investigado aumenta o risco de fuga e de continuidade das práticas suspeitas.
“O conjunto dos elementos demonstra que a liberdade do investigado, neste momento, representa risco relevante à instrução processual e à ordem pública”, concluiu.
Próximos passos
Com a nova ordem de prisão, a PF deve cumprir o mandado e conduzir Antônio a audiência de custódia. O Ministério Público Federal deverá se manifestar sobre as novas descobertas, e a defesa do empresário, por sua vez, deverá apresentar recurso questionando a decisão.
A Operação Sem Desconto continua em curso, e novas fases não estão descartadas. Investigadores afirmam que a estrutura do esquema é ampla, complexa e ainda possui ramificações a serem mapeadas.
A prisão do “Careca do INSS” representa mais um capítulo de um caso que expõe falhas graves, jogo de poder e a atuação de redes ilegais que se valem da burocracia previdenciária para lucrar às custas do Estado e dos segurados.
