Em uma decisão que reacende o debate político nacional, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (13) novas visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar há mais de três meses. A medida atende a um pedido formal da defesa do ex-presidente e amplia o rol de autoridades políticas que poderão encontrá-lo dentro do período estabelecido pela Corte.
Segundo o despacho, as visitas estão autorizadas a ocorrer entre 24 de novembro e 11 de dezembro de 2025, intervalo no qual governadores, parlamentares e aliados próximos poderão conversar diretamente com Bolsonaro. Entre os nomes de maior destaque estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública paulista, Guilherme Derrite (PP-SP), ambos aliados históricos do ex-chefe do Executivo.
A decisão foi recebida como uma vitória parcial pela defesa de Bolsonaro, que tem reiterado ao STF a necessidade de flexibilização do isolamento imposto ao ex-presidente desde que ele foi detido por descumprimento de medidas cautelares no âmbito de uma investigação que apura sua suposta atuação — ao lado do deputado Eduardo Bolsonaro — em atos considerados ofensivos à soberania nacional.
Mais governadores também poderão visitar Bolsonaro
Além de Tarcísio e Derrite, Moraes autorizou as visitas de outras figuras de peso no cenário político. Entre elas estão:
- Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás;
- Cláudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro;
- Outras autoridades federais e estaduais que constavam na petição da defesa.
A liberação de visitas a Bolsonaro vem sendo solicitada por diversos aliados, que alegam que as restrições vinham impondo um isolamento político desproporcional ao ex-presidente, impedindo-o de tratar de questões essenciais para sua defesa e de manter diálogo com lideranças que integram seu núcleo histórico de apoio.
Três meses de prisão domiciliar
Bolsonaro está detido desde 4 de agosto de 2025, após Moraes determinar sua prisão por descumprimento de medidas cautelares previstas no processo que investiga sua suposta participação em atos atentatórios contra a soberania nacional. À época, o STF entendeu que o ex-presidente teria violado restrições impostas, incluindo limitações de comunicação e proibição de contato com determinadas pessoas investigadas no mesmo inquérito.
A decisão foi considerada um marco político e jurídico no país, reacendendo debates sobre os limites das ações individuais de ministros do Supremo. Críticos veem na prisão uma ação desproporcional e politicamente motivada, enquanto apoiadores da medida afirmam que ela foi necessária para impedir novas violações que, segundo a Corte, colocariam em risco a estabilidade institucional.
Repercussões políticas imediatas
A autorização para as visitas gerou movimentações nos bastidores da política. Governadores como Tarcísio e Caiado, ambos nomes frequentemente apontados como possíveis candidatos à Presidência ou à vice em cenários futuros, devem articular encontros com o ex-presidente visando alinhar estratégias para 2026.
Para analistas, a possibilidade de diálogo direto com Bolsonaro tende a fortalecer a reorganização da direita e reaproximar lideranças que, sem acesso ao ex-presidente, enfrentavam dificuldades para alinhar discursos e ações políticas.
Já dirigentes do PL e de partidos próximos avaliam que o período de visitas será decisivo para definir como a direita se posicionará nos próximos meses, especialmente diante da disputa eleitoral de 2026.
Ambiente de tensão continua
Embora a decisão de Moraes represente uma flexibilização, ela ocorre em meio a um ambiente político ainda tenso. A defesa de Bolsonaro insiste na necessidade de revisão das medidas cautelares e no questionamento sobre a legalidade da prisão domiciliar. A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, sustenta que o ex-presidente representou risco concreto ao ignorar determinações judiciais, justificando as restrições impostas.
Moraes, que é relator do caso, afirmou que a liberação das visitas atende ao princípio da razoabilidade, desde que respeitadas as normas estabelecidas pela Justiça e que os encontros não interfiram no andamento das investigações.
Direita se mobiliza
Enquanto isso, movimentos e lideranças conservadoras comemoraram a decisão como uma vitória simbólica. Nas redes sociais, apoiadores afirmaram que as visitas representam “um sopro de humanidade” e reforçam que Bolsonaro segue sendo uma figura central na política brasileira, mesmo sob restrição de liberdade.
Dirigentes do PL também já articulam que as visitas devem servir para reorganizar agendas, planejar possíveis manifestações e estabelecer diretrizes para o fortalecimento do campo político de direita nos próximos meses.
