O cerco internacional ao regime de Nicolás Maduro parece estar chegando ao seu ponto mais alto. Reunidos nesta quarta-feira (12) no fórum do Grupo IDEA, realizado no Miami-Dade College (EUA), ex-presidentes latino-americanos e lideranças opositoras afirmaram que o governo do ditador venezuelano vive seus últimos dias. O encontro, que reuniu nomes influentes da política continental, como a opositora venezuelana María Corina Machado, apontou o envio de tropas e embarcações militares dos Estados Unidos ao mar do Caribe como o principal fator que pode precipitar o fim do chavismo na Venezuela.
A movimentação militar americana, intensificada nas últimas semanas, ganhou destaque com a chegada ao Caribe do porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior da frota naval dos EUA, acompanhado de um grupo de ataque composto por cerca de 4 mil militares e dezenas de aeronaves de guerra. O gesto foi interpretado como um recado direto ao regime de Caracas e seus aliados regionais, Cuba e Nicarágua. O fórum do Grupo IDEA teve como tema central justamente “O fim das ditaduras de Cuba, Nicarágua e Venezuela”.
O ex-presidente da Bolívia, Jorge “Tuto” Quiroga, foi um dos mais enfáticos ao comentar a atual conjuntura. “Os EUA têm uma política clara de combate ao narcotráfico e ao terrorismo. Espero que entendam que estamos em semanas decisivas”, afirmou, destacando que a situação venezuelana é crítica e que a pressão internacional tem sido determinante para enfraquecer Maduro.
A opositora María Corina Machado, que participou por videoconferência, reforçou o tom de urgência e otimismo. “Vivemos horas decisivas. A Venezuela está no limiar da liberdade e de uma transformação sem precedentes”, declarou. Machado destacou ainda que o movimento liderado por ela dentro da Venezuela se mantém firme e mobilizado, mesmo diante da repressão estatal. “O que acontece na Venezuela não é apenas um fato nacional; é um ponto de inflexão para toda a América Latina”, disse, pedindo apoio internacional no momento que classificou como “histórico”.
A líder opositora, que recentemente foi anunciada como vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025, previsto para ser entregue em 10 de dezembro, elogiou a postura firme do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante de Maduro. Na semana anterior, Machado havia afirmado que a estratégia americana contra o regime venezuelano é “absolutamente correta”, reforçando a importância de medidas concretas e não apenas diplomáticas.
Os debates no fórum também abordaram os ataques norte-americanos a embarcações suspeitas de narcotráfico no mar do Caribe. Desde 1º de setembro, estima-se que cerca de 20 embarcações tenham sido neutralizadas, resultando em aproximadamente 75 mortes. Ex-presidentes como Jamil Mahuad, do Equador, e Álvaro Uribe, da Colômbia, defenderam a legitimidade das ações militares dos EUA.
“Um governo que se mantém pela força é uma ameaça internacional. Muitos países erraram ao tratar o narcotráfico apenas como um problema de segurança pública”, afirmou Mahuad. Já Uribe foi mais direto: “Prefiro a derrota do narcoterrorismo a permitir que ele continue criando uma soberania dos criminosos. Ou estamos com a criminalidade e o neocomunismo, ou estamos com a democracia”.
Entretanto, a ofensiva americana não tem sido unanimemente apoiada. A Organização das Nações Unidas (ONU) classificou os ataques como violações ao direito internacional, acusando Washington de realizar execuções extrajudiciais. França e México também expressaram preocupação, enquanto Colômbia e Reino Unido suspenderam a cooperação de inteligência com os EUA em resposta às operações. Apesar disso, o clima geral entre os ex-presidentes latino-americanos no fórum foi de apoio à estratégia americana e de esperança por uma nova etapa política na região.
O ex-secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, que comandou a instituição de 2015 a 2025 e hoje atua como diretor do Observatório para a Democracia do Instituto Casla, declarou não ver irregularidades nos ataques. “Não há liberdade de navegação nem céus abertos para narcotraficantes. É preciso preservar a segurança na região”, afirmou, ecoando a visão de que a estabilidade democrática do continente depende da neutralização dos regimes autoritários.
O consenso entre os ex-presidentes e líderes presentes foi claro: a queda de Maduro parece ser apenas uma questão de tempo. A pressão econômica, diplomática e agora militar se somam ao esgotamento interno do regime, que enfrenta escassez, deserções militares e crescente descontentamento popular. Com a chegada do poderoso grupo naval americano ao Caribe, muitos acreditam que o chavismo vive seus últimos dias no poder.
“Estamos diante de um momento histórico que definirá o futuro da América Latina”, resumiu Jorge Quiroga ao encerrar o evento. Para os participantes, a possível saída de Maduro não significará apenas o fim de uma ditadura, mas o início de um novo ciclo de reconstrução democrática no continente.
