“Bruxa da Vaza Toga” tenta criminalizar o jornalismo investigativo e jornalista garante que não vai recuar


“Bruxa da Vaza Toga” tenta criminalizar o jornalismo investigativo e jornalista garante que não vai recuar

Uma nova polêmica agita os bastidores da política e do Judiciário. A jornalista Letícia Sallorenzo, conhecida nas redes sociais por suas posições alinhadas à esquerda e apelidada por críticos de “Bruxa da Vaza Toga”, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma petição criminal contra os jornalistas David Ágape, Eli Vieira e o ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, Eduardo Tagliaferro. O documento, com 38 MB e dezenas de páginas, pede que os três sejam investigados por uma lista extensa de supostos crimes — que vão desde difamação e injúria até organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Segundo Sallorenzo, ela teria sido vítima de ameaças e perseguição online, as quais teriam sido “amplificadas por perfis de alto alcance”, conectando o caso a inquéritos já existentes no STF, como o 4.781 (conhecido como inquérito das milícias digitais), o 4.874 e até o 4.921, que apura os atos de 8 de janeiro de 2023 — este último, segundo críticos, não teria qualquer relação com o caso em questão.

A petição foi enviada diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, o que levantou questionamentos sobre o possível conflito de interesses, já que Sallorenzo é apontada em reportagens como colaboradora informal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — algo que a própria jornalista reconhece em seu currículo Lattes.

Jornalista reage e denuncia tentativa de censura

Um dos alvos do pedido, o jornalista David Ágape, reagiu publicamente à movimentação judicial. Em uma publicação nas redes sociais, Ágape afirmou que a ação representa uma tentativa escancarada de criminalizar o jornalismo investigativo, e garantiu que não irá recuar, mesmo diante da possibilidade de ser incluído nos controversos inquéritos das “milícias digitais”.

“Eu posso ser incluído nos inquéritos das milícias digitais até amanhã. Eu, Eli Vieira e Eduardo Tagliaferro viramos alvo de uma representação criminal da Letícia Sallorenzo — a ‘Bruxa da Vaza Toga’. Ela nos acusa de ataques coordenados e mandou o caso direto para Alexandre de Moraes, apesar de mensagens em que dizia ser próxima da esposa dele. Moraes aceitou, e a PGR decide amanhã se abre investigação”, escreveu Ágape.

Segundo ele, a petição da jornalista o acusa de uma variedade de crimes que, em sua visão, configuram um verdadeiro excesso persecutório.

“Ela tenta nos enquadrar em quase todo o Código Penal: difamação, perseguição, incitação, organização criminosa e até abolição violenta do Estado Democrático de Direito”, disse.

Ágape destacou que jamais atacou Sallorenzo pessoalmente e que suas publicações se limitaram a divulgar reportagens baseadas em fatos e documentos públicos, especialmente sobre o envolvimento da jornalista com o TSE durante o período eleitoral.

“O único tuíte meu no processo é eu divulgando a minha reportagem. Os ataques citados por ela são de terceiros. O que estão tentando fazer é claro: criminalizar o jornalismo investigativo. E eu não vou recuar”, afirmou o jornalista.

Caso reacende debate sobre liberdade de imprensa

O episódio gerou forte repercussão entre profissionais da comunicação, juristas e políticos. Diversos jornalistas independentes saíram em defesa de Ágape e dos demais citados, destacando que críticas públicas e apurações jornalísticas não podem ser confundidas com crimes de opinião.

“Quando um jornalista é processado ou criminalizado por publicar informações de interesse público, o que está em jogo não é apenas a liberdade individual dele, mas o direito de toda a sociedade de ser informada”, comentou um analista político.

Outros lembraram que o Brasil tem vivido um cenário preocupante, em que decisões judiciais e investigações conduzidas por ministros do STF têm, segundo críticos, extrapolado limites constitucionais e intimidado vozes dissidentes.

A reação popular também foi intensa nas redes sociais. Termos como #CensuraNão, #ApoioADavidAgape e #LiberdadeDeImprensaJá chegaram aos tópicos mais comentados do dia no X (antigo Twitter). Muitos internautas compararam o episódio a outras situações recentes em que jornalistas e comunicadores independentes foram alvos de processos e censura judicial.

Relação polêmica com o STF

A própria Letícia Sallorenzo já é figura conhecida por seus embates com jornalistas e opositores políticos. Ela ficou conhecida por defender o STF e o ministro Alexandre de Moraes em publicações nas redes sociais e, segundo reportagens, mantinha contato com integrantes do TSE durante o período eleitoral.

Para críticos, o fato de ela enviar a petição diretamente ao gabinete de Moraes — com quem teria relações de proximidade — reforça suspeitas de favorecimento e de tentativa de instrumentalizar o Supremo contra comunicadores independentes.

Enquanto isso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) deve decidir nos próximos dias se acatará ou não o pedido de abertura de investigação. Caso o processo avance, os jornalistas e Tagliaferro poderão ser formalmente incluídos nos inquéritos já em curso.

Um novo teste para a democracia

O caso entre Letícia Sallorenzo e os jornalistas investigativos se soma a uma longa lista de episódios que colocam em xeque a liberdade de imprensa e de expressão no Brasil. A tentativa de associar a atividade jornalística a crimes de Estado é vista por muitos como um sinal preocupante de criminalização da crítica e politização da Justiça.

Enquanto o STF analisa mais um episódio polêmico, David Ágape mantém sua postura firme. “Podem tentar calar o jornalismo, mas não conseguirão calar a verdade”, concluiu o jornalista.

O embate promete se tornar um novo símbolo da luta entre o poder das instituições e o direito da sociedade de ser informada — um embate que definirá, mais uma vez, até onde vai a liberdade de imprensa no Brasil contemporâneo.

Enviar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem