Malu Gaspar mira outro ministro do STF em nova "bomba"

Caio Tomahawk
A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, voltou a provocar forte repercussão no meio político e jurídico ao publicar um novo artigo que atinge diretamente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. Sob o título “Master: Acareação de Toffoli ajuda plano da defesa para desmontar investigação de fraude”, a jornalista detalha movimentos recentes do ministro que, segundo ela, favorecem a estratégia jurídica do banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro.

De acordo com a coluna, após conseguir que a investigação envolvendo o banco Master fosse enviada ao STF e colocada sob sigilo absoluto, a defesa da instituição financeira teria avançado para uma nova fase: minar a credibilidade do Banco Central (BC) e desmontar o conjunto de ações técnicas que culminaram na liquidação do banco. O objetivo final seria reverter essa decisão e, em um cenário mais ousado, buscar algum tipo de ressarcimento financeiro.


Malu Gaspar afirma que esse plano já aparece claramente nas manifestações apresentadas tanto ao próprio Supremo quanto ao Tribunal de Contas da União (TCU), no processo em que o ministro Jhonatan de Jesus solicitou esclarecimentos ao BC sobre o que chamou de “decisão extrema” de liquidar o banco de Vorcaro. Para que a estratégia tenha sucesso, contudo, seria necessário criar fatos que justifiquem uma eventual decisão de Toffoli contra diretores e técnicos do Banco Central.


É nesse ponto que a jornalista aponta o que considera atitudes controversas do ministro. Toffoli marcou uma acareação entre Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino. O problema, segundo a coluna, é que a acareação foi determinada antes mesmo de os envolvidos apresentarem versões formais dos fatos, já que nenhum deles prestou depoimento até agora.

Além disso, Toffoli negou pedidos tanto da Procuradoria-Geral da República quanto do próprio Banco Central para suspender a acareação. Embora tenha afirmado que Ailton Aquino não é investigado, o ministro acabou colocando os três personagens em pé de igualdade no procedimento, algo que técnicos do BC consideram estranho e juridicamente questionável.


O artigo lembra ainda que a liquidação do Master foi aprovada de forma unânime pela diretoria colegiada do Banco Central, incluindo o voto do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo. Ou seja, a responsabilidade pela decisão não recai sobre um único diretor, mas sobre toda a cúpula do BC. Um detalhe revelador destacado por Malu Gaspar é que, internamente, Ailton Aquino era visto como alguém mais alinhado ao Master e, inclusive, foi um dos que mais resistiram à ideia de liquidação.


Registros do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) indicam que houve ao menos 38 comunicados oficiais alertando para riscos de liquidez, problemas no balanço do banco e outras irregularidades. A maioria desses alertas foi direcionada justamente à área comandada por Aquino, que, segundo relatos de participantes das reuniões, costumava minimizar os problemas, mesmo quando eles se agravavam.


A situação se tornou mais grave a partir de março de 2025, quando o BRB anunciou a compra de 58% do Master, mantendo Vorcaro no controle. Durante a análise dessa operação, outra diretoria do BC encontrou fraudes em contratos de crédito consignado que teriam lastreado o repasse de R$ 12,2 bilhões do BRB ao Master. Isso gerou um racha interno no Banco Central, com parte da diretoria defendendo intervenção imediata e outra tentando manter o banco em funcionamento.


O texto também menciona pressões políticas inéditas, segundo técnicos do BC, que relataram ao Ministério Público e à Polícia Federal nunca terem sofrido tamanha interferência em favor de uma única instituição financeira. Em meio a esse cenário, houve ainda uma reunião em julho de 2025 em que o ministro Alexandre de Moraes teria pedido informações a Galípolo sobre o Master, recuando apenas após ser informado das fraudes detectadas.


Para Malu Gaspar, diante de todo esse contexto, a decisão de Toffoli de ouvir apenas o diretor mais próximo de Vorcaro levanta suspeitas e reforça o temor de “armadilhas processuais”, expressão usada pelos representantes legais do Banco Central ao pedir o cancelamento da acareação. Nos bastidores, o ministro tenta convencer interlocutores de que não pretende aliviar a situação do Master. Até agora, porém, segundo a colunista, os fatos indicam o contrário — e o placar segue favorável a Daniel Vorcaro.

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